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A Última Ceia, o Último Grito e o Último Leilão
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Texto Curatorial
A exposição "A Última Ceia, o Último Grito e o Último Leilão" reúne 31 obras criadas como uma releitura contemporânea de três ícones da história da arte: A Última Ceia de Leonardo da Vinci, O Grito de Edvard Munch e Menina com Balão de Banksy.
Essas referências atravessam o tempo e se encontram aqui reinterpretadas sob a ótica da crise ambiental e da ganância humana. Cada quadro é um fragmento de uma narrativa simbólica, uma ceia em que a humanidade se alimenta do próprio planeta, um grito silencioso pela vida e um leilão onde tudo, até a própria arte, parece ter um preço.
O artista propõe um diálogo entre passado e presente para revelar que, em todas as épocas, a crítica essencial permanece a mesma: amor, autodestruição e dinheiro.
As obras convidam o público a refletir sobre a urgência climática, o desmatamento, o aquecimento global e o desequilíbrio ético que ameaça o futuro das próximas gerações.
Mais do que uma exposição, "A Última Ceia, o Último Grito e o Último Leilão" é um alerta visual, um espelho e um manifesto — um chamado para acordar antes que o último grito se perca, a última árvore caia e o último gesto de amor se torne apenas lembrança.
Mensagem do Artista
Retratei todas as COPs, da primeira à 30ª, para que as pessoas se questionem sobre as resoluções que foram tiradas em todas essas conferências.
Quais dessas resoluções foram realmente cumpridas?
Enquanto aconteciam as conferências do clima, o mundo seguia despreocupado com o meio ambiente, vendendo árvores, negociando rios, trocando a própria vida do planeta por cifras.
O Judas que aparece nos quadros representa a traição e a ganância, simbolizando cada um de nós quando tomamos decisões que colocam o dinheiro acima do que temos de maior valor: a natureza.
A cada COP, cai uma árvore e assim segue a sequência até chegar à COP 30.
O questionamento que faço, de COP em COP, é simples e urgente: quantas das promessas feitas ao planeta foram realmente cumpridas?
Sobre o Artista
Desde pequeno, José Kartabil demonstrava talento para as artes. Desenhava retratos de familiares, paisagens e figuras do cotidiano com sensibilidade e atenção aos detalhes.
Formou-se bacharel em Artes Plásticas pela Universidade de Passo Fundo (UPF), no Rio Grande do Sul, e desde então produziu uma obra diversificada: esculturas, painéis, arte sacra e caricaturas.
Entre suas obras mais conhecidas estão os bustos do Dr. Leocádio José Correia, da Irmã Marina Fidelis e do Dr. Maury Rodrigues da Cruz, todos integrantes da Sociedade Brasileira de Estudos Espíritas (SBBE).
Por alguns anos, dedicou-se à agricultura e também dirigiu um jornal impresso, mantendo sempre o olhar crítico e sensível da arte. Atualmente, retorna com força total ao seu verdadeiro chamado: a arte, com o projeto "A Última Ceia, o Último Grito e o Último Leilão", uma série que une beleza, denúncia e esperança diante da urgência ambiental e das contradições humanas reveladas ao longo das COPs.
O Estilo de Zé Kartabil
A arte de Zé Kartabil carrega uma força simbólica rara: mistura espiritualidade, denúncia e humanidade.
Seu traço é direto, quase confessional, e a paleta de cores trabalha contrastes entre o quente e o frio, entre a vida e o que resta dela.
Kartabil pinta o que os olhos já não querem ver: o desmatamento, a indiferença, o aquecimento do planeta e devolve à arte sua função original: a de fazer pensar.
Nessa série, o artista utiliza a sequência narrativa como ferramenta estética e política. Cada quadro é uma página de um evangelho moderno sobre a destruição do próprio lar humano.
Ao revisitar ícones da história da arte, A Última Ceia, O Grito e Menina com Balão, ele estabelece um diálogo entre tempos e dilemas: o amor e a traição, o desespero e o silêncio, a arte e o dinheiro.
O resultado é uma obra coletiva e contundente, onde Judas vende árvore por árvore e o termômetro da Terra sobe a cada quadro — até o desfecho no 31º, em que todas as obras são destruídas, não pela censura, mas pela própria humanidade.
"Zé Kartabil transforma o pincel em espelho e o espelho em alerta: quanto vale o planeta que deixaremos para as próximas gerações?"